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Cientistas identificam tipo sanguíneo encontrado em apenas três pessoas

por Rodolpho HOTH HOTH

Cientistas identificaram um tipo sanguíneo tão raro que, até agora, só foi encontrado em três pessoas no mundo. A descoberta, descrita em um estudo publicado na revista Transfusion and Apheresis Science, revela uma variante inédita no sistema ABO, responsável pela classificação dos tipos A, B, AB e O. O novo fenótipo, classificado como B(A), apresenta características híbridas entre os antígenos A e B e pode alterar a forma como bancos de sangue realizam triagens e compatibilizações.

O achado ocorreu após pesquisadores analisarem mais de 544 mil amostras de sangue coletadas ao longo de oito anos no Hospital Siriraj, o maior centro médico da Tailândia. Entre 285 mil doadores e 258 mil pacientes, três pessoas apresentaram resultados que não se encaixavam em nenhuma tipagem conhecida. Testes adicionais, sequenciamento genético e análises bioquímicas confirmaram que se tratava de uma variante completamente nova.

Segundo o estudo, mutações específicas no gene ABO fazem com que a enzima responsável por formar o antígeno B apresente pequenas alterações estruturais. Essas mudanças permitem que ela produza traços mínimos, porém detectáveis, do antígeno A, criando um tipo híbrido que confunde exames tradicionais.

Para os pesquisadores, o impacto prático é significativo. Tipagens incompatíveis podem levar a reações transfusionais graves, e pessoas com variantes raras, muitas vezes, recebem transfusões imprecisas por falta de metodologias sensíveis. O estudo reforça a necessidade de aprimorar os testes laboratoriais e ampliar o uso de tecnologias moleculares na rotina de bancos de sangue.

“As discrepâncias do sistema ABO devem ser investigadas e esclarecidas antes da rotulagem da unidade de sangue do doador e da transfusão aos receptores”, escrevem os pesquisadores. “Até onde sabemos, este é o primeiro relato em larga escala de discrepâncias do sistema ABO na região do Sudeste Asiático”, alertam os cientistas.

Embora extremamente raro, o fenótipo B(A) não representa risco à saúde do portador. O desafio, segundo os autores, está na segurança transfusional: pessoas com esse tipo sanguíneo podem reagir de forma imprevisível a doações que, em princípio, seriam consideradas compatíveis pelos testes usuais.

Para a comunidade científica, a descoberta abre novas frentes de pesquisa sobre a evolução dos sistemas sanguíneos humanos e sobre a diversidade genética ainda pouco explorada. Para os bancos de sangue, acende um alerta: mesmo após mais de um século desde a descrição dos tipos A, B, AB e O, o corpo humano continua surpreendendo.

Por Painel da Cidadania
Fonte Correio Braziliense
Foto: Reprodução/Freepick

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