O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha pediu R$ 400 milhões em propina para concretizar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília, segundo revelações da delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A informação veio à tona após apuração de diálogos recuperados pela Polícia Federal e divulgados pelo portal UOL.
As investigações apontam que Ibaneis acompanhou de perto todas as etapas da tentativa de aquisição da instituição financeira privada pelo banco público distrital. O acordo teria sido firmado logo no primeiro encontro entre o ex-governador e o banqueiro, realizado em setembro de 2024, em Brasília, com a participação de assessores e aliados políticos.
O esquema previa o pagamento da propina após a efetivação da compra, sendo metade em dinheiro em espécie e metade por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia. Além disso, o ex-governador teria assegurado uma participação acionária no novo conglomerado resultante da negociação, utilizando uma empresa de fachada.
Vorcaro relatou ter adiantado cerca de R$ 80 milhões em espécie, entregues por seu motorista ao longo de vários meses. Mensagens extraídas dos celulares dos envolvidos indicam que os repasses ocorreram em diversas ocasiões entre o final de 2024 e meados de 2025. Contudo, o contrato com o escritório de advocacia não chegou a ser quitado, pois o Banco Central vetou a operação em setembro de 2025 e, posteriormente, liquidou o Banco Master.
A Articulação Financeira e o Papel do BRB
A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB ocorreu em meio a uma grave crise de liquidez enfrentada pela instituição privada. O banco público injetou bilhões de reais na compra de carteiras de crédito do Master, muitas delas apontadas pela Polícia Federal como fraudulentas e sem lastro.
Relatórios enviados ao Supremo Tribunal Federal indicam atuação direta de Ibaneis Rocha na estratégia financeira que viabilizou as negociações entre 2024 e 2025. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também esteve no centro das tratativas, conduzindo as operações que culminaram no veto do Banco Central e na subsequente intervenção regulatória.
Defesa e Desdobramentos Políticos
Diante das revelações, a defesa de Ibaneis Rocha desqualificou o teor da delação premiada, classificando as acusações como infundadas e desprovidas de provas materiais. Os advogados reiteraram que o ex-governador concedeu autonomia integral à diretoria do BRB e não interferiu nas decisões administrativas ou financeiras da instituição bancária.
Com o avanço das investigações da Operação Compliance Zero e o desgaste político decorrente do caso, Ibaneis Rocha renunciou à disputa eleitoral ao Senado pelo Distrito Federal, mantendo-se fora do cenário político institucional recente enquanto os órgãos de controle aprofundam a apuração das irregularidades.
Frase-chave principal: Ibaneis Rocha pediu R$ 400 milhões de propina
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