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Caminhoneiros da NOVACAP enfrentam seis meses sem pagamento e relatam situação de desespero

por jean.carlos.cmo@gmail.com

A crise envolvendo caminhoneiros que prestam serviços ligados à NOVACAP continua gerando preocupação e revolta entre trabalhadores e familiares. Após o escândalo de corrupção revelado em junho, profissionais afirmam que seguem enfrentando dificuldades financeiras extremas, acumulando meses sem receber os valores que consideram devidos.

Caminhoneiro orienta trabalhadores sobre paralisação

Em áudio enviado aos trabalhadores, um dos caminhoneiros orientou os profissionais sobre os procedimentos relacionados à paralisação prevista para a segunda-feira.

“Pessoal, vamos lá. O que foi passado aqui? Na segunda-feira, os senhores vão para a NOVACAP. É para ligar o veículo dos senhores e permanecer com ele no pátio. Não é para sair do pátio, ok? Na segunda-feira estaremos em paralisação. Mas os senhores têm que ir ao equipamento de vocês, ligar o equipamento, certo?

Alguma dúvida? Se tiver alguma dúvida, me chamem no privado, porque ainda não vou abrir as informações aqui no grupo para todos mandarem mensagens.

Tá bom, pessoal? Vamos nos acalmar. A diretoria está fazendo da melhor forma possível, vocês podem ter certeza disso. Não vai adiantar a gente brigar entre si, isso não vai levar a lugar nenhum.”

Vídeo relacionado à paralisação dos caminhoneiros

Seis meses de atraso e famílias em situação crítica

Depois do escândalo de corrupção que atingiu a NOVACAP em junho, revelado por operação do Ministério Público que investigou suspeitas de lavagem de dinheiro, formação de cartel e pagamento de propina, caminhoneiros afirmam que se tornaram as principais vítimas da crise.

Segundo relatos da categoria, os profissionais acumulam aproximadamente seis meses sem receber pagamentos. A situação teria provocado a paralisação de caminhões por falta de combustível e levado trabalhadores a vender veículos e bens pessoais para sustentar suas famílias.

Há relatos de pessoas que dependem de empréstimos, compras fiadas e ajuda de familiares para manter despesas básicas. Alguns profissionais afirmam não possuir recursos sequer para participar de assembleias da própria categoria.

Suplementação de recursos não trouxe solução definitiva

A aprovação de uma suplementação orçamentária de R$ 50 milhões pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) foi apresentada como uma medida emergencial para enfrentar a crise.

Entretanto, trabalhadores afirmam que o valor não seria suficiente para resolver o passivo acumulado nem garantir a normalização dos pagamentos. Segundo relatos compartilhados entre os caminhoneiros, a expectativa seria de um pagamento parcial antes do encerramento do exercício financeiro, sem garantias concretas sobre a regularização completa da situação.

Desespero cresce entre os trabalhadores

Nos grupos de comunicação da categoria, multiplicam-se relatos de dificuldades financeiras severas. Caminhoneiros relatam falta de recursos para despesas básicas, incluindo alimentação, energia elétrica e combustível.

Segundo os profissionais, a situação ultrapassa qualquer discussão política e representa uma crise de sobrevivência. Muitos afirmam não possuir condições mínimas para continuar trabalhando, enquanto aguardam uma solução definitiva para os pagamentos pendentes.

Crise segue sem resposta definitiva

Enquanto o ano se aproxima do fim, os caminhoneiros afirmam continuar sem previsibilidade financeira. Para a categoria, a principal preocupação é a ausência de uma solução concreta capaz de garantir a regularização dos pagamentos e restabelecer condições adequadas de trabalho.

A crise, que teve origem após as investigações envolvendo a NOVACAP, continua produzindo reflexos diretos na vida de centenas de trabalhadores que dependem da atividade para sustentar suas famílias.


Reportagem: Rodolpho Hoth Hoth
Publicação: Fatos Verdades

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