Não é de hoje que a floresta amazônica tem estampado as manchetes dos jornais. O aumento recente no número de incêndios florestais e o crescente desmatamento têm gerado preocupações tanto nacional quanto internacionalmente. Em meio à crise ambiental, uma questão recorrentemente vem à baila. Pode o setor privado ter um papel ativo na preservação da floresta amazônica? A resposta para essa questão é simples, sim! Para exemplificar, vou descrever a avaliação de impacto da Natura na Amazônia.

 Desde 1998 a Natura tem uma atuação ativa na região amazônica. Para abastecer sua linha Ekos, a qual tem como base insumos da sociobiodiversidade, a Natura, conjuntamente a uma rede de organizações parceiras (cooperativas de produtores e ONGs nacionais e estrangeiras), estruturou uma cadeia de suprimento para insumos amazônicos. Nesta cadeia, produtos como andiroba, babaçu, ucuúba, castanha do Pará, entre outros, são providos à empresa e posteriormente transformados em cremes, desodorantes e sabonetes. Contudo, como verificar se essa cadeia de suprimentos amazônicos afeta a conservação florestal?

Para fazer isso, eu utilizei dados de satélite sobre o nível de conservação florestal dos municípios amazônicos durante aproximadamente 20 anos (vide dados INPE). Com estes dados, eu apliquei a metodologia de diferenças-em-diferenças. Ao comparar a entrada da Natura em municípios amazônicos com municípios onde a Natura não entrou, mas potencialmente poderia ter entrado, é possível ver o efeito da Natura na conservação da floresta. Como a tendência de desmatamento antes da entrada era semelhante em ambos os grupos – com e sem Natura – qualquer mudança na tendência de conservação florestal após a entrada da Natura é atribuída à ação da empresa e de sua rede de parceiros.  

 Os resultados demonstram que a Natura e parceiros contribuíram para a preservação total de 1,8 milhão de hectares (aproximadamente 1,7 milhão de campos de futebol) ao longo dos 20 anos analisados. Em termos de sequestro de carbono, as estimativas mostram que a rede Natura e parceiros sequestraram um total de 145 bilhões de toneladas de carbono, os quais deixaram de ser dispersados na atmosfera ao longo destes 20 anos.

 Estes achados mostram que organizações com fins lucrativos podem contribuir para a preservação da floresta amazônica, bem como para a questão ambiental como um todo. Por meio de uma governança sólida, engajamento junto a parceiros e stakeholders locais e compromisso com a causa, empresas podem alinhar incentivos econômicos à preservação ambiental, gerando valor para a empresa, para a sociedade e para o planeta.

Fonte: www.xn--flashdenotcias-9lb.com.br/2020/09/18/podem-as-empresas-salvar-a-amazonia-exame

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